,.-~*-.¸-(_Family Carneiro_)-,.-~*´

Archive for julho 2010

Com justa razão, sociólogos, economistas, políticos e cientistas sociais têm se preocupado com a trágica realidade das favelas urbanas. Na verdade, elas são o retrato de uma sociedade desigual e excludente. As favelas urbanas são também a vergonha explícita da nossa iniquidade social. Tirar o homem da favela será pois o grande desafio urbano/humanístico deste próximo milênio.

Conquanto seja deplorável ver o homem na favela, também é lamentável constatar o crescimento de uma *favela* no coração do homem. Tirar a favela de dentro do homem será pois um grande desafio para os terapeutas, teólogos, conselheiros, educadores, enfim, para todos que tem um compromisso com a existência e dignidade humana.

A *favela interior* é o resultado do crescimento de um tipo diferente de pobreza, marcada pela ausência de sentimentos, valores e atitudes nobres, cada vez mais escassos em nossa sociedade materializada. Esta pobreza interior é denunciadora também de um *lixo interior* que o ser humano permite que vá se acumulando pelas esquinas d*alma, ao longo da vida.

 

Pelo menos, três diferentes tipos de pobreza interior denunciam

a existência de uma *favela* dentro de nós. Primeiro, é a pobreza de

espírito, não tomada aqui como uma virtude ressaltada por Jesus Cristo, no Sermão do Monte, mas como um espírito pobre, cuja pobreza se dá pelo excesso de egoísmo, maldade, mesquinhez, avareza, arrogância e outros sentimentos desta natureza. Alguém pode ter muito dinheiro, bens ou propriedades, todavia, se possuir um espírito pobre, vive numa grande miséria. São pessoas desprovidas da verdadeira riqueza, que é a riqueza do *ser*, onde os sentimentos, valores e atitudes nobres constituem o maior patrimônio.

 

Uma segunda pobreza interior que denuncia a *favela* que habita em nós, é a pobreza espiritual. É o coração humano vazio de fé, esperança, enfim, vazio de Deus. A ausência de Deus no ser humano empobrece a sua vida. A fé é de um valor imensurável e enriquece a existência na medida em que liberta a vida dos limites da matéria, abrindo as cortinas do infinito e do sobrenatural. *Tudo é possível ao que crer*. Por fim, a *favela* que existe dentro do homem é fruto também da pobreza afetiva provocada pela ausência do amor. Quem não ama, vive mergulhado numa verdadeira miséria existencial, desprovido de tudo que dignifica e enobrece a vida.

 

Até a religião sem amor se transforma em fanatismo e radicalismo. O amor produz a compaixão, o perdão e a solidariedade.

O amor enriquece a vida!

 

 

Esforçar-se para tirar o homem da favela e tirar do seu caminho o lixo que a sociedade produz é uma tarefa tão nobre quanto urgente. Todavia, é também urgente e igualmente nobre, o esforço para retirar a *favela* de dentro do homem, e limpar a sua alma do lixo produzido pelos sentimentos mesquinhos e pela ausência de Deus. A verdadeira riqueza é a presença de Deus em nós.

 

 

 

Pr. Estêvam Fernandes de Oliveira

Da PIB em João Pessoa, Paraíba

Anúncios